| Minha comida, sua comida |
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As conhecidas guloseimas são prova de afeto e carinho com os nossos animais, tão próximos de nós neste início de século, em que a população idosa aumenta, assim como os “solitários”. Mas determinados alimentos podem ser prejudiciais à saúde deles, tornando-se impróprios ao consumo. Contudo, é sempre muito difícil abandonar o hábito de agradar os cães, que, mesmo acostumados com ração, aceitam facilmente outros alimentos, diferentemente dos gatos. Alguns destes alimentos são inadequados, principalmente se constituírem a maior parte ou toda a alimentação do animal. Como pode ser complicado interromper completamente o fornecimento de agrados, é importante ter em mente que estes não devem ultrapassar 5 a 10% da ingestão energética diária do cão. O leite é comumente oferecido pela manhã e a filhotes, mas este pode causar diarreia, independente da quantidade, pois a maioria dos cães apresenta intolerância à lactose. Assim, apesar de o leite ser um alimento rico em cálcio, fósforo, proteína e vitaminas, seu fornecimento não é indicado. Os restos de comida também devem ser evitados, pois, mesmo quando utilizados para corrigir desequilíbrios protéicos ou energéticos de rações pobres, podem desbalancear ainda mais a dieta, normalmente aumentando desnecessariamente a quantidade protéica. Para cães de grande porte, é comum observarmos suplementos minerais e vitamínicos para filhotes, mas, se a ração fornecida for de boa qualidade, esta suplementação é desnecessária, podendo inclusive prejudicar o desenvolvimento ósseo do animal. Outro cuidado que devemos ter com filhotes é quanto ao fornecimento de óleo de fígado de bacalhau ou outros óleos vegetais com a intenção de suplementar a quantidade de vitaminas. Os óleos são ricos em vitaminas A e D e ácidos graxos ômega 3. Mas, se houver consumo diário, pode ocorrer hipervitaminose em 6 a 10 meses, além de obesidade e redução da ingestão da ração devido ao consumo de maior quantidade de lipídeos. As frutas são o agrado mais comum que os cães recebem. Mas, além de desbalancear a dieta, por serem ricas em fibras, as frutas aumentam o peristaltismo, podendo agravar problemas de gastrite, além de elevar o índice de cáries. O uso abusivo de carnes também é observado com frequência na clínica, pois muitas pessoas acreditam que, por serem carnívoros, os cães podem comer só carne. Contudo, apesar de ricas em proteínas, as carnes são pobres em cálcio, fósforo e outros minerais, assim como vitaminas. Não podemos esquecer que, na natureza selvagem dos carnívoros, eles não comiam somente carne, mas também ossos, vísceras e conteúdo intestinal dos animais caçados ou carniças encontradas. O cuidado com a carne de peixe deve ser redobrado, pois ela pode ter espinhas de difícil eliminação e que podem provocar obstrução ou perfuração intestinal. Alguns peixes crus podem transmitir parasitas − se for aderir ao peixe, ele deve ser muito bem cozido e em pequenas quantidades. É muito comum ver proprietários oferecendo chocolate a seu animal, mas o chocolate, bem como o coco e o cacau, contém uma metilxantina denominada teobromina, que, se consumida em grandes quantidades, é tóxica para cães, atingindo principalmente o sistema nervoso central e o coração. No sistema nervoso central, essa substância produz excitação e, no músculo cardíaco, aumento da atividade, provocando descontrole. Entre os sintomas causados estão vômito, diarreia, falta de ar, inquietude, aumento da diurese ou incontinência urinária e tremores musculares. Esta intoxicação tem prognóstico desfavorável e com frequência leva à morte. As doses tóxicas se encontram em torno de 40 gramas de chocolate por quilo de peso do animal, mas dependem de fatores individuais e do tipo de chocolate: quanto mais gordura possuir, menor a quantidade de teobromina. A oferta de outros tipos de doce, além de provocar cárie e tártaro, aumenta a ingestão calórica, provocando predisposição à obesidade.
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