| Vamos Passear? |
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Por Bruno Laganá
Imagine que você está preso. Imagine que o maior espaço que tem para se movimentar é o seu apartamento de 30 metros quadrados e que você não pode sair dele para nada, pois não consegue girar a chave ou abrir a maçaneta. Agora imagine que você tem um espaço maior, mais arejado, mas ainda cercado e tudo o que você viu na sua vida são as mesmas três pessoas. Você nunca sai. É uma situação desesperadora, não é? Pois pode ser assim que seu cão esteja se sentindo. Você tem levado seu cachorro para passear? Todos os dias? Se a resposta for não, pode ter certeza de que ele está precisando dar aquela voltinha. Você pode estar se justificando: “Mas eu moro em uma casa, com um quintal enorme, o cachorro tem espaço para se movimentar, ele não precisa passear”. É aí que nos enganamos. Os cães necessitam do passeio, não só pelo exercício e para que façam suas necessidades fisiológicas, mas para que se socializem e conheçam o mundo que os rodeia além da cerca em que vivem. O cão que não passeia dá muito mais trabalho para ser levado a um veterinário, por exemplo, do que aquele que está acostumado com as pessoas na rua ou com passeios de carro. Segundo o veterinário Robespierre Ribeiro, de Brasília, “ter espaço em casa não significa que o animal vai se exercitar suficientemente, pois existem raças que não possuem ânimo para fazer isso voluntariamente ou não possuem estímulos”. Ele continua: “Muitas vezes, cães que viviam sozinhos passam a ter qualidade e expectativa de vida bem maiores quando há a introdução de outro cão para fazer companhia a ele, pois este passa a ter um maior estímulo para se movimentar”. Sobre a importância do passeio para a sociabilização do cachorro, o veterinário diz que, mesmo tendo espaço em sua própria casa, é importante que ele tenha contato com o meio exterior para desenvolver sua relação com ambientes, pessoas e animais diferentes. “Além disso, é importante para sua orientação geográfica, que certamente o ajudará a encontrar sua casa se ele se perder, por exemplo”, completa Robespierre. Benefícios para a saúde O passeio é extremamente positivo para a saúde dos cães. Dentre os benefícios, podemos citar o controle de peso, aumento de massa muscular para auxiliar em certos problemas articulares, controle de índice glicêmico (principalmente para animais diabéticos), preparo físico e cardiopulmonar (que influenciará na expectativa de vida do animal), além de estímulo e apuramento dos sentidos da audição e do olfato. De acordo com o veterinário Max Freire, especialista em fisioterapia canina no Rio de Janeiro, “a periodicidade no passeio de um cão pode trazer inúmeros benefícios, como a diminuição do estresse, a melhora do condicionamento físico e do sistema cardiovascular”. Mas, para que os passeios surtam efeito, o ideal é que sejam realizados diariamente, ou pelo menos de 3 a 4 vezes por semana. Se você não tem tempo para passear com seu animalzinho, existem pessoas e empresas que oferecem este serviço. Procure se informar com seu veterinário, ele provavelmente vai conhecer alguém que poderá ajudá-lo. O passeio pode ser benéfico para aqueles cachorros que tenham problemas de articulações e estejam usando do exercício como fisioterapia. “Na fisioterapia, a caminhada ou passeio é um dos recursos que podemos utilizar durante a reabilitação, mas o veterinário fisioterapeuta saberá o momento exato de indicar, de acordo com cada lesão. Esse passeio pode ser ativo-livre, onde o cão consegue se locomover sozinho ou ativo-assistido, quando há necessidade de aparelhos ou acessórios que o possibilite a andar. No tratamento fisioterápico, devemos lembrar que existe uma lesão, seja ela ortopédica, neurológica ou reumática, e fatores como grau da lesão, intensidade, tipo de piso e tempo de caminhada são de extrema importância e devem ser analisados para que não se agravem os problemas”, explica Freire. Cuidados, recomendações e restrições É recomendado sempre passear com seu animalzinho em tipos diferentes de lugar. “É melhor expor o cão a diversos ambientes para que ele se ambiente e não estranhe com facilidade lugares pouco frequentados”, explica o veterinário Robespierre. Se o animal for jovem, o ideal é iniciar em ambientes calmos e pouco amplos, para gradativamente expô-lo a ambientes maiores e mais movimentados. “Isto evitará traumatizá-lo logo no início de seus passeios”, alerta. O passeio deve ser em horários em que a temperatura e a incidência dos raios solares estejam menores, pois os cães não possuem facilidade de perder calor como o homem. O cão transpira pelos coxins (as “almofadinhas” de suas patas) e realiza a troca de calor do corpo com o ambiente, em sua maior parte, pela respiração. Carregue com você uma garrafinha de água para o cachorro quando sentir que ele está precisando. Outro cuidado que se deve tomar é com a escolha da guia e da coleira. Existem guias de diversos materiais (tecido, couro e metal) e diferentes tipos coleiras (ajustáveis, enforcadores e peitorais), de vários modelos, cores, tamanhos e estampas. Mas ao escolhê-los, deixe a estética em segundo plano e tente se preocupar primeiro com o seu cão. Considere o porte, a idade e a raça de seu animalzinho. O veterinário Robespierre dá um exemplo: “No cão jovem, que está dando seus primeiros passeios, o ideal é usar a coleira de pescoço com ajuste fixo, para que ele não sinta desconforto muito grande com o enforcador nem a liberdade excessiva da peitoral, que poderá induzi-lo a se tornar em um cão que puxe muito no passeio”. Esse ponto é muito importante. Alguns cães são muito fortes e podem puxar demais o seu condutor. Essa é uma situação que pode se complicar, principalmente se o dono não aguentar os puxões e o animal acabar se soltando, levando perigo para os transeuntes e para si próprio, caso se meta na frente de um automóvel e provoque um acidente grave. Normalmente, a focinheira é obrigatória somente para cães considerados violentos, como o pitbull. Mas isso pode variar de estado para estado (leia nas páginas 24 e 25). Mesmo assim, é importante o dono perceber o desenvolvimento social do cão e saber se deve lançar mão de uma focinheira, para que outras pessoas não se sintam intimidadas ao passear na mesma rua que o cão. Na maioria das vezes, o passeio tende a ser 100% benéfico ao cachorro. Mas existem casos de doenças articulares ou cardiopatias descompensadas em que o passeio não é recomendado pelos veterinários. “A melhor maneira de prevenir é, antes de começar as atividades, passar por uma avaliação do médico veterinário”, explica Freire. Mantendo visitas regulares a um veterinário, você garantirá que seu cão não corra risco nenhum. Os cuidados continuam dentro do limite do bom senso. “Embora o passeio possa parecer inofensivo, existem algumas restrições que devem ser levadas em consideração antes de se dar início à atividade”, explica o veterinário carioca. No caso de animais idosos, deve-se estar atento para a existência de doenças articulares graves, além de obesidade, doenças metabólicas, tamanho e raça do animal, por exemplo. “Esses fatores estarão diretamente relacionados com o tempo e intensidade do passeio e, quando não observados ou se houver má orientação, poderão agravar ainda mais a lesão”, completa. Deve-se prestar atenção também ao tipo da raça do animal. “Em raças específicas, como o buldogue, a temperatura ambiente e a intensidade da atividade podem levar a sérias descompensações metabólicas”, conta Freire. Por isso, a recomendação é sempre verificar junto ao veterinário qual é o melhor jeito de se passear com seu cão. Outra coisa: o tipo de terreno onde o passeio será realizado também deve ser considerado, pois um passeio na areia exigirá muito mais esforço do que na grama ou piso plano. “Pisos lisos também podem ser prejudiciais para cães com problemas locomotores”, avisa Freire. É bom iniciar com tempo e intensidade reduzidos e aumentar gradativamente, sempre com orientação veterinária, de acordo com seus objetivos. |




