Tumor de mama PDF Imprimir E-mail

A evolução da Medicina Veterinária tem contribuído para a maior longevidade dos animais. Nutrição balanceada, prevenção a doenças, diagnósticos precisos e tratamentos adequados permitem uma sobrevivência maior e uma melhor qualidade de vida. Consequentemente, doenças que geralmente acometem animais idosos tornam-se mais frequentes. É o caso, por exemplo, do câncer.

O aprofundamento dos estudos tem demonstrado que, dentre os tumores que acometem as cadelas, o câncer de mama merece destaque. Sobretudo, por sua alta incidência e pela semelhança, em diversos aspectos, aos tumores de mama em mulheres. Eles representam cerca de 25 a 50% das neoplasias (termo correto para definir o tumor) que acometem as cadelas e, quando se leva em consideração os cães em geral, são menos frequentes apenas que os tumores de pele. Dentre tantas informações, nota-se a necessidade de se conhecer esse tipo de câncer para que o clínico veterinário possa estabelecer um tratamento correto e eficaz.

Várias são as informações equivocadas sobre câncer de mama em cadelas e vamos tentar esclarecê-las a seguir.

É bom lembrar que o tratamento cirúrgico é o de eleição, pois, em princípio, todos os tumores devem ser submetidos a exames histológicos, para que se possa fechar o diagnóstico e, consequentemente, estabelecer uma terapia, seja ela curativa ou paliativa. Devemos lembrar que mesmo nódulos pequenos, com aparência de benignidade, podem revelar focos de células malignas. Hoje não há tratamento exclusivamente clínico para a cura do câncer de mama.

E como detectar se o seu animal de estimação possui neoplasia de mama? Entre os diversos casos, os proprietários observam aumentos de volume na região das mamas, que podem à primeira vista ser confundidos com mastites (inflamação da mama), quadros de caráter apenas inflamatório e comuns em cadelas que estejam amamentando ou que passem pelos quadros de pseudociese (gravidez psicológica) e/ou alterações hormonais. No entanto, geralmente estes quadros caracterizam-se por inchaço de consistência macia e aumento da temperatura no local, podendo ocorrer vermelhidão regional da pele. Normalmente o tratamento clínico é eficaz e o inchaço tende a desaparecer.

Outra situação comum é notar pequenos nódulos que variam de tamanho e podem apresentar consistência muitas vezes endurecida. Estas pequenas formações podem ser representadas por tipos diferentes de neoplasia mamária, podendo ser benignos ou malignos (câncer). Estas características clínicas e o comportamento biológico de cada tumor são variantes importantes, pois elas estarão associadas com o pior ou melhor prognóstico e a conduta terapêutica escolhida. Ou seja, características como modo e taxa de crescimento, volume total do tumor e envolvimento dos linfonodos (responsáveis pela drenagem linfática do tecido) são fundamentais para determinar prognóstico e possível tratamento. Tudo isso torna a abordagem clínica primária essencial para o correto conhecimento da enfermidade.

Os tumores benignos tendem a apresentar menor velocidade de crescimento, demorando meses ou anos para aumentar seu volume. Em contrapartida, os tumores malignos tendem a se desenvolver rapidamente, muitas vezes apresentando feridas em sua extensão. Além disso, o tumor mamário maligno apresenta a possibilidade de gerar a chamada metástase à distância, ou seja, a migração de células tumorais para órgãos diversos, como pulmões, fígado e baço, gerando alterações severas que comumente levam o animal à morte em curto espaço de tempo.

A despeito da possibilidade de podermos suspeitar de um ou outro tipo tumoral por seu aspecto externo, devemos ressaltar que o diagnóstico definitivo só é possível por biópsia prévia ou análise laboratorial pós-cirurgia, portanto, a avaliação mais segura deve ser feita por um profissional médico veterinário.

A cadela pode possuir quatro ou cinco pares de glândulas mamárias, dependendo da raça. É essencial o conhecimento desta disposição anatômica para determinar o tipo correto de procedimento operatório a seguir, que pode mudar de acordo com a glândula acometida. A mastectomia, ou seja, a retirada da glândula mamária, pode ocorrer de maneira regional ou radical.  A mastectomia regional baseia-se na retirada das glândulas baseadas na drenagem venosa e linfática do tecido mamário. Devido a conexão entre glândulas mamárias pela drenagem para um mesmo linfonodo, é indicada a retirada em bloco das mamas e do linfonodo adjacente. A remoção cirúrgica completa do tumor, com margem de segurança, é o tratamento ideal, à exceção dos tumores inoperáveis, como os carcinomas inflamatórios e as metástases para órgãos distantes. A localização do tumor, considerando-se a drenagem linfática das glândulas mamárias, determina a opção da técnica cirúrgica a ser adotada. Outros tratamentos podem ser associados ao procedimento operatório, tais como quimioterapia e radioterapia. A aplicação dos tratamentos varia de acordo com o estágio de desenvolvimento e localização do tumor.

O fator tempo também é muito importante para o sucesso do procedimento e na expectativa de sobrevida do animal após a cirurgia.

Se você tem uma cadela em casa, habitue-se a palpar as mamas do animal com frequência, de modo a detectar precocemente nódulos e tumores e, se alguma alteração for notada, procure imediatamente o médico veterinário para que as medidas corretas sejam adotadas. Seu pet merece essa atenção.

  • O melhor método contraceptivo é a castração, pois a utilização de medicações, sejam anticoncepcionais ou abortivos, pode levar a maior predisposição ao aparecimento de tumores malignos.
  • Sabe-se que a castração só será um método preventivo (99,95%) contra o aparecimento do câncer de mama se ela for realizada precocemente, antes do primeiro cio do animal. Após esse período, a taxa percentual de prevenção é reduzida, até se tornar nula.
  • Ao contrário do que algumas pessoas acreditam, animais que nunca copularam não são mais susceptíveis ao tumor de mama e animais que já tiveram crias podem sim apresentar a doença.

Martha de Souza Teixeira da Rocha
M.V. Mestranda em Saúde Animal
Universidade de Brasília