| Terapia Assistida por Animais |
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por Bruno Laganá A Sra. Daniela (nome fictício), 80 anos, é interna há pouco tempo do Asilo São Vicente de Paula, em Santos (SP). Ela chegou muito tímida e contrariada e passou a dar muito trabalho aos médicos e ajudantes do asilo, já que tinha grande dificuldade de socialização e relutava em fazer a fisioterapia. Nenhum esforço dos funcionários do asilo ou da própria família faziam-na participar das atividades conjuntas com os outros idosos e era impossível convencê-la a realizar as sessões de fisioterapia, o que complicava muito o andamento do seu tratamento físico. Foi quando o asilo resolveu participar de um programa voluntário para o uso de Terapia Assistida por Animais (TAA). Com a introdução dos cães na rotina fisioterápica, a interna passou a fazer parte das atividades, entrosando-se com os demais idosos e sentindo prazer ao fazer os exercícios exigidos, sem nem mesmo perceber que estava fazendo sua tão importante fisioterapia. Mas o que é essa terapia e como ela funciona? De acordo com o médico veterinário Dr. Luiz Henrique Guimarães Franco, vice-presidente da Associação dos Médicos Veterinários da Baixada Santista e responsável técnico pelo Clube Pet Memorial, empresa que participa do programa de TAA, a terapia “consiste no uso de animais como auxiliadores em diversos tipos de tratamentos, sejam doenças de fundo psicológico, neurológico, motor, ou mesmo em pacientes com câncer. A interação com os animais diminui o estresse e a ansiedade, estimula a movimentação e o equilíbrio, bem como a percepção espacial”, afirma. É importante ressaltar que o sucesso da Sra. Daniela não se trata de um caso isolado. O Dr. Franco cita outros exemplos, como a equoterapia, ou seja, aquela realizada com cavalos. “A terapia assistida com o uso de cavalos, para crianças ou mesmo adultos com necessidades físicas especiais, quer sejam de ordem motora ou neurológica, traz resultados maravilhosos” diz. “A evolução é sensível no tocante à movimentação, locomoção e até mesmo no estímulo da autoconfiança e enfrentamento, pois eles passam a montar e confiar em um animal grande, de aproximadamente 600Kg. É marcante a melhora em doentes de Alzheimer, pois a sensação de felicidade libera uma série de hormônios, como a endorfina e a serotonina, benéficos ao organismo”, completa o Dr. Franco. Normalmente, existem organizações não-governamentais (ONGs) que trabalham com a TAA. Mas isso não quer dizer que uma empresa não possa criar uma ação social relacionada à terapia, mantendo uma atividade constante com visitas em asilos, creches, educandários e orfanatos. Essas ações sociais são geralmente conduzidas por grupos de voluntários, realmente se doando para a função. São os momentos de alegria das pessoas beneficiadas que pagam o trabalho. Segundo um estudo realizado em 2001 pelas enfermeiras Cíntia Kawakami e Cyntia Nakano, para que a TAA seja bem feita, é obrigatória a presença de um médico veterinário responsável pela introdução dos animais no grupo de voluntários que participam da aplicação da terapia e da socialização dos bichos com os pacientes. Para o Dr. Franco, “o médico veterinário é parte fundamental da TAA, uma vez que mantém os animais sempre saudáveis, pois sabemos que existe uma variedade grande de doenças transmissíveis ao homem. Além disso, o profissional é capaz de avaliar o comportamento do animal durante a manipulação, evitando assim qualquer acidente ou estresse desnecessário para o animal”. Podem ser utilizados todos os tipos de animais que podem entrar em contato com os seres humanos sem oferecer perigos imediatos. Isso por que a TAA funciona muito melhor se os animais que participam do programa puderem ser tocados. Ainda ssim, isso não impede que peixes sejam ótimos participantes, assim como os gatos, coelhos, tartarugas, chinchilas, hamsters, furões e pássaros. Até mesmo animais menos convencionais também podem ser muito úteis em uma TAA, como a iguana, por exemplo. O maior amigo do homem, o cão, ainda é o principal animal utilizado nessas terapias assistidas em razão de sua conhecida afabilidade com as pessoas e por poder ser facilmente adestrado. De acordo com o estudo anteriormente citado, o cão “é capaz de criar respostas positivas ao toque, possuindo grande aceitação por parte das pessoas”. É claro que não é qualquer animal, um encontrado na rua por exemplo, que pode ser usado em sessões de TAA. O principal requisito é que estejam com uma saúde plena e com todas as vacinas e vermifugações em dia. Além disso, são escolhidos entre os mais sociáveis com pessoas estranhas e que saibam conviver junto com outros animais sem problemas. Também são preferidos animais nem tão jovens e nem tão velhos, pois os jovens podem ser muito afoitos e os velhos se cansam com mais facilidade. Entre os benefícios que se pode obter com a TAA estão:
Os milagres que podem acontecer em qualquer uma das sessões de TAA são mistérios ainda não totalmente desvendados pela ciência. Mas certamente podem explicar muito sobre a relação que o ser humano vem tendo, através dos tempos, com os animais. Uma relação que deve deve ser sempre baseada em respeito, carinho e amor, para proporcionar alegria e bem-estar a todos. |




