Escolhendo um bom criador PDF Imprimir E-mail

Por Bruno Laganá

 

Então você quer comprar um cachorrinho, certo? É hora de escolher se o novo companheiro da sua família será um machinho ou uma fêmea, se vai ser de pequeno, médio ou grande porte e escolher entre dezenas de raças. Não se pode esquecer de levar em consideração se mora em casa ou apartamento e se quer um bichinho de pêlo longo ou curto. Quais são as raças mais dóceis? Preciso de um companheiro ou de um cão de guarda? Sou uma pessoa solitária e o novo bichinho será tratado como um filho? Tenho crianças em casa? Pensar em tudo isso é um grande processo na escolha de qual animalzinho irá ser adquirido.

E é, afinal de contas, a parte mais importante. Muitas pessoas, ao criar um desejo por ter determinada raça, ou por terem visto aquele tipo de cachorro em um filme, não param para pensar se aquele é o perfil do animal que realmente querem ter em seu lar. Um exemplo clássico são pessoas que moram em apartamento mas querem ter cachorros de médio ou grande porte. Deve-se lembrar que o próprio cachorro poderá sofrer com a falta de espaço. Outro exemplo: famílias com crianças pequenas não devem ter cachorros agressivos, pouco sociáveis ou que fiquem irritados com facilidade, pois as crianças, naturalmente, não costumam ter muita medida no carinho (ou, nos casos dos mais endiabrados, na força) que aplicam sobre o animalzinho.

“Mesmo assim, tem gente que insiste em levar um cão como o labrador para dentro de casa”, explica Lia Almeida, uma das criadoras da raça em Brasília. “O labrador é um cão dócil e companheiro, mas ele não tem muito discernimento. Às vezes, quando estamos lhe dando uma bronca, ele acha que estamos brincando, além de ser um destruidor de sofás.” Ou seja, um cão nada bom para se ter dentro de um apartamento. “Ainda assim, muita gente fica com raiva quando eu digo isso, porque criaram uma expectativa muito grande de ter um cachorro dessa raça”, completa Lia.

Então é sempre bom, antes de sair para procurar o seu novo amigo, ler sobre as raças mais adequadas para o perfil da sua vida e entender ao máximo por que deve escolher uma raça e não a outra, para não morrer de arrependimento depois.

Seleção Natural

Após passar por todo esse processo de escolha e seleção da raça mais adequada para seu perfil, entra a parte mais complicada: a escolha do cãozinho em si, do novo membro da família. Mas como saber se o cãozinho que está escolhendo foi bem criado até o momento em que eu o adquiri? Como saber se o canil onde vai procurar seu novo amigo é de confiança? Em que você precisa prestar atenção para saber se o criador que está vendendo o cachorro realmente entende da raça?

O primeiro passo para identificar um canil de qualidade, que pratique a criação responsável, é saber se ele é registrado no kennel club de sua cidade ou estado. Os kennel clubs são os órgãos responsáveis por certificar um criador da raça de seus cães e dar o pedigree, que é o atestado de que aquele cão é de raça pura, ou seja, não houve misturas com outras raças. Os kennels devem ser filiados à Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC) que é o órgão encarregado de, segundo seu próprio estatuto, “disciplinar a criação de caninos de raça pura, orientar os criadores para que obtenham exemplares do mais alto nível técnico, estabelecendo, ao mesmo tempo, preceitos que devem reger a criação”.

Para que um criador seja gabaritado pela Confederação Brasileira de Cinofilia, ele precisa possuir pelo menos uma fêmea de raça pura devidamente registrada no Serviço de Registro Genealógico da própria Confederação. Tendo o seu registro, o criador ainda passa pelo crivo da Confederação ao se propor a criar e deve registrar as ninhadas, obrigatoriamente sempre entre cães da mesma raça pura.

“Ao adquirir de um criador registrado no kennel, o comprador já estará fazendo uma grande seleção, pois somente 3% dos cães vendidos hoje em dia têm realmente pedigree aferido pelos kennels”, afirma Walter de Castro Coutinho, diretor jurídico do Kennel Club de Brasília e criador de rottweilers há mais de vinte anos.

Mesmo que o criador tenha registro no kennel, checar se ele registra ninhadas periodicamente é importante, pois só dessa maneira sabemos se é um criador que foi lá apenas uma vez, apenas para receber a certificação do canil. Além disso, saber se o criador está em dia com o pagamento do Kennel também dá uma boa idéia do profissionalismo dele.

E o que mais?

Ter somente o registro não é o suficiente para ser um criador de gabarito e poder oferecer lindos e saudáveis cãezinhos para quem os deseja. Para que os cães que estão chegando ao mundo cresçam com saúde e bem-estar, é importante que o criador se atenha a algumas regras do bom funcionamento de um canil.

Um bom espaço para a procriação dos cães é necessário. Além disso, os pais biológicos precisam ser bem cuidados e bem tratados. Então, uma boa dica é sempre pedir para fazer uma visita ao canil. Se puder ir desacompanhado da família, é melhor ainda, já que não se corre o risco de alguém se apaixonar por um cachorrinho à primeira vista e não conseguir ver mais nada de importante.

Ao chegar ao canil, converse com o criador para saber como é o dia-a-dia dos cães, se há um período em que são soltos para brincar, como é a rotina de banho, limpeza das baias etc. Se ele tiver dificuldades para responder, pode desconfiar. Um criador que não conhece a rotina de seu canil provavelmente não tem muito cuidado com os animais.

A higiene do espaço é fundamental para saber o nível de preocupação do criador com a saúde de seus cães ou até mesmo se há o risco de o animal portar doenças incubadas.

“Conhecer os pais biológicos também é uma boa, pois assim você sabe como ficará, quando crescer, o cachorrinho que você está pensando em adquirir”, explica Lia. Além disso, ao conhecê-los, você verá se estão bem tratados, vermifugados e sem doença aparente.

Finalmente, o cãozinho

Identificar se um cãozinho está bem tratado é sempre um processo trabalhoso para quem não conhece muito do riscado. É bom olhar sempre algumas coisas importantes. Se o pêlo for muito brilhoso, é porque está sendo alimentado com uma ração premium ou super premium, mas é sempre indicado perguntar qual é a ração dada. Além disso, é bom saber se o cachorro foi vermifugado e vacinado – cães com barriga grande podem ter vermes ou, em outro caso, ser alimentados com ração de qualidade duvidosa.

Para saber se foi vacinado, é bem mais fácil, já que basta pedir o cartão de vacinação, que deverá estar assinado e carimbado por um veterinário. Olhar a data em que foi vacinado o cachorro também pode ser uma boa pista para ver se o criador seguiu os períodos recomendados de aplicação das vacinas.

Um website também pode ser uma ótima ferramenta para auxiliar na escolha de um canil. Ele pode trazer uma lista dos cães com que o criador trabalha, depoimentos de gente que já comprou com ele, entre outras coisas, como fotos e reprodução dos certificados de pedigree.

Preste atenção também ao comportamento do próprio criador. Veja se ele opina na escolha, se dá dicas de qual cãozinho é o mais forte, o mais esperto, enfim, não deixa o cliente simplesmente escolher qualquer um, como se não se importasse ou se isso não fizesse diferença.

Outra dica legal é saber se o criador apresenta os seus cães também em competições de pista. O criador que se importa com a qualidade do cão que vende, certamente participará dessas competições, até mesmo para saber se o seu “produto” está dentro do padrão exigido pelos juízes. Outras vantagens de um criador participar dessas competições são valorizar seus cães e tornar seu canil mais conhecido.

O bom criador também se preocupa com o futuro de seus cães. Patrícia Triacca, criadora da raça setter, sempre procura saber como estão animais que vendeu. “Eu até exigo dos meus compradores que me mandem fotos atualizadas dos cães, notícias, enfim, tudo para eu saber como está o animal”, conta.