| Evite pulgas, sarnas e carrapatos |
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Eryka Gracyely Garcia Mascarenhas
M.V. autônoma
A pele é o maior órgão do corpo do animal. Partindo desse princípio, prezados leitores, podemos chegar à conclusão de que esse órgão é uma importante porta de entrada de doenças para nossos queridos animais. Daí a importância de se ter um cuidado todo especial com a pele deles.
Quando se olha para a pele de um gato ou cachorro, é comum pensar que ela é mais resistente que a pele do ser humano. No entanto, ela é mais sensível que a nossa devido à menor espessura da epiderme (a camada mais externa da pele, cuja principal função é a proteção). Por isso, é essencial um tratamento correto para se cuidar dessa pele, que vai desde a freqüência correta dos banhos até a escolha de produtos adequados (xampu, antiparasitas, etc.) para o animal.
Embora o nome possa parecer complicado, ectoparasita quer dizer: parasita que vive, habita, fora do organismo do animal. Esses parasitas provocam reações, que vão desde alergias no local da picada ao surgimento de doenças sistêmicas, que poderão provocar até a morte do animal. Como existem inúmeros ectoparasitas, darei enfoque aos principais, que são: pulga, carrapato e sarnas (demodécica e sarcóptica).
As pulgas são pequenos insetos, de coloração marrom, que parasitam a pele de cães e gatos. Elas são desprovidas de asas, mas sabem pular com grande perfeição, devido à conformação de suas patas. Geralmente, ao serem encontradas na pelagem do animal, elas estão se movimentando rapidamente, o que muitas vezes impede sua identificação. Outra forma de perceber a presença desses pequenos insetos é através das suas fezes (pequenos grãos parecidos com areia preta) deixadas por eles. As pulgas sugam o sangue do animal, podendo, em casos graves, provocar anemia (diminuição o número de células vermelhas do sangue). Elas também podem transmitir doenças como a dipilidiose, uma enfermidade do trato gastrointestinal. Além disso, nos gatos, podem transmitir a micoplasmose, uma enfermidade sangüínea. A saliva da pulga possui substâncias alergênicas ou irritantes, que podem provocar, em cães e gatos (que forem predispostos) uma alergia, à qual chamamos dermatite alérgica à picada de pulga. O controle deve ser feito tanto no ambiente (onde as pulgas passam parte de suas vidas), quanto no animal. No ambiente, o controle é feito com produtos especializados, vendidos em lojas agropecuárias. No animal, o ideal é usar produtos à base de fipronil, vendidos em forma de gel, que devem ser aplicados a cada 3 meses, ou à base de imidacloprida, que devem ser aplicados mensalmente. O banho com xampu anti-pulgas não alcança bons resultados, pois esses xampus, assim como a maioria dos talcos antiparasitários, geralmente não provocam a morte da pulga nem do carrapato.
Os carrapatos são aracnídeos (da mesma família das aranhas) que parasitam a pelagem de inúmeros animais, dentre eles, cães e gatos. O tamanho e a coloração dos carrapatos variam conforme sua espécie. Comparados às pulgas, são quase sempre maiores e se movimentam bem mais vagarosamente. Os carrapatos se fixam na pele do animal e ali permanecem, sugando o sangue, podendo provocar anemia, que varia de simples a gravíssima e pode até provocar a morte do animal. Através de sua picada, ele pode transmitir doenças como a babesiose e a erliquiose, que, se não diagnosticadas e tratadas correta e rapidamente, podem levar a outras doenças e até mesmo a morte. Quando o carrapato se fixa na pele do animal, ele também pode provocar uma reação alérgica. Assim como acontece com as pulgas, o controle de uma infestação por carrapatos deve ser feito no ambiente e no animal. Em casos em que a infestação ambiental seja grave, o ideal é que se contrate uma empresa dedetizadora especializada (esta recomendação é válida para infestações por qualquer parasita). No animal, o controle também é feito com produtos à base de fipronil ou imidacloprida + permetrina, em aplicações mensais.
Sarnas são doenças parasitárias provocadas por ácaros. As duas principais sarnas em cães e gatos são a demodécica (ou demodicose) e a sarcóptica (ou escabiose).
A demodicose é bem mais comum no cão do que no gato. O parasita é encontrado principalmente na epiderme e nos seus folículos pilosos – ou seja, ele não se apresenta sobre a epiderme, mas dentro dela. A sarna demodécida pode provocar diversas alterações na pele do animal, que vão de uma simples descamação (presença de caspas), passando por uma falha no pêlo, até a presença de ulcerações na pele (feridas abertas). Geralmente, só há coceira se houver também uma infecção bacteriana na pele. A transmissão ocorre de mãe para filho, no contato direto (na amamentação, por exemplo); ela não é transmitida para outros animais nem para o ser humano. O diagnóstico é feito pelo médico veterinário através de um raspado profundo da pele. Existem vários protocolos terapêuticos, um dos mais utilizados para os pacientes caninos é moxidectina oral e banhos com xampu à base de peróxido de benzoíla e, em alguns casos, utilização de amitraz e, quando necessário, de antibiótico oral. Para os pacientes felinos, o melhor tratamento é à base da aplicação de ivermectina e, na grande maioria das vezes, não são receitados banhos, pois os gatos os odeiam e isso os deixa muito estressados, o que pode provocar o aparecimento de outras doenças.
A sarna sarcóptica, por sua vez, provoca uma coceira intensa no animal além do aparecimento, em geral, de pele avermelhada, grossa e sem pêlo. O diagnóstico, assim como na sarna demodécica, é feito através de um raspado profundo da pele. Ao contrário da demodicose, a escabiose é transmitida, por contato, para outros animais e para o ser humano. Geralmente, o tratamento receitado é à base de ivermectina e amitraz (que não pode ser usado em algumas raças, como os Collies). O ambiente também deve ser rigorosamente tratado com produtos especializados.
Existem outros inúmeros ectoparasitas importantes, como o ácaro, que provoca a sarna otodécica, uma importante enfermidade das orelhas dos gatos; e as moscas, que provocam desde uma simples ferida na borda das orelhas (principalmente dos cães) até a presença de miíase (bicheira), que, se não tratada, pode levar o animal à morte.
Cada paciente é único, pois nenhum organismo é igual a outro. Por último quero salientar que as informações aqui relatadas, foram feitas para que vocês, proprietários, conheçam um pouco mais sobre seus queridos cães e gatos, e não para que vocês usem dessas informações para automedicarem seus animais, pois toda prescrição de tratamento só deve ser realizada por um médico veterinário.
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