Adotei um gato... e agora? PDF Imprimir E-mail

 

Parabéns, você acabou de adotar um gatinho! Eis aqui algumas dicas de como conviver bem com esse novo membro da sua família. Então vamos começar tudo de novo: parabéns você foi adotado por um gato! Sim, eles não nos pertencem, são espíritos livres e somos nós que pertencemos a eles. Nossa casa é território deles e temos sorte quando eles nos amam. Ao levar um gato para casa, algumas necessidades básicas precisam ser satisfeitas a fim de evitar estresse físico e emocional a essas sensíveis criaturas.

 

Primeiramente os gatos necessitam ter seu próprio “espaço”, o que não quer dizer que, se você vive num apartamento pequeno, não possa ter um gato, muito pelo contrário. Eles precisam sentir que pelo menos um cantinho da casa é apenas deles, mesmo que isso signifique sua cesta de roupa sem passar, a porta do meio do guarda-roupa ou até mesmo sua poltrona favorita em frente à televisão. Portanto, dê opções para que ele possa escolher um local favorito que seja satisfatório para ambas as partes.

 

Além do espaço, as necessidades básicas são uma cama (ou mais de uma), vasilhas de comida e água, uma bandeja sanitária (caixinha de areia), um local para afiar as garras e alguns brinquedos.

 

Vamos começar pela cama. Todos nós que temos gatos já passamos pela situação de entrar num petshop e ver lindas camas acolchoadas e enfeitadas e exóticas; achando tudo lindo, levamos para casa e informamos ao nosso gato que essa agora é a sua cama. Mas o que se observa é o seguinte: na primeira semana, o gato acha aquela novidade bacana e se deita nela para testar a sensação. Na segunda semana, ele decide que aquela “almofada” nova não está com nada e não oferece nenhuma vantagem sobre a cama antiga. A cama antiga pode ser a sua cama e, se ele resolver que ela é melhor, dificilmente você o fará mudar de idéia. Fique feliz de ele deixar você ainda ter um espaço na sua cama, você tem sorte se ele não gostar do seu travesseiro! Mas não sejamos pessimistas, talvez ele goste da cama que você comprou para ele! De qualquer maneira dormir é uma importante parte da vida dos gatos, eles chegam a passar dois terços da vida dormindo – ou em meditação profunda, como preferir – e podem escolher locais bem singulares para isso, como em cima da televisão, dentro do forro do sofá ou na sua gaveta de documentos, dependendo do humor e se eles querem ser vistos ou não.

 

Outra necessidade básica: comida e água. O gato é um “gourmet” por natureza e só vai comer aquilo que lhe é agradável ao paladar. Devemos oferecer ração de boa qualidade, que tenha sido aprovada no quesito sabor, pois, se ele não gostar, não vai comer. Cuidado ao oferecer comida de “gente” para eles, pois podem ficar mais seletivos e ficará mais difícil acostumar com a ração. Diferente do cão, por exemplo, o gato come várias pequenas refeições durante o dia e até durante a noite, portanto tenha certeza que sua vasilha de ração esteja sempre abastecida. Mas não é aconselhável encher demais a vasilha, pois a comida pode ficar úmida (e mofar) e atrair insetos. Os gatos preferem a ração assim que sai do pacote, com cheirinho de fresca. Os gatos, de maneira geral, bebem pouca água, mas é muito importante que haja sempre uma vasilha de água fresca à disposição. Alguns só bebem água corrente, o que explica a predileção por torneiras pingando, outros gostam da água que fica acumulada no chão do box do banheiro. Se seu novo gato só gosta de água corrente e você não quer gastar uma fortuna com a conta de água, a sugestão é adquirir uma pequena fonte elétrica, algumas feitas especificamente para esse fim, outras fabricadas como objeto de decoração. Outro ponto importante, assim como ninguém colocaria a mesa de jantar no banheiro, os gatos também não apreciam o fato das vasilhas de comida e água ficarem próximas (às vezes do lado) da bandeja sanitária. Portanto, tente escolher locais totalmente distintos para essas finalidades.

 

Por falar em bandeja sanitária, esse é um importante componente da vida do gato. Os gatos, de maneira geral, são muito cuidadosos com os seus hábitos higiênicos, portanto, se o “banheiro” não estiver de seu agrado, eles vão procurar outro lugar para aliviar suas necessidades fisiológicas. Eles aprendem muito jovens a usar a bandeja sanitária e não precisam ser treinados. Faz parte da natureza do gato enterrar suas fezes, por isso a recomendação do uso da areia. Mas tente não usar areia de verdade, pois essa não tem o poder absorvente que os granulados sanitários comerciais possuem. Os granulados são fabricados para esse fim. Assim como somos exigentes na hora de escolher uma marca de papel higiênico, os gatos também podem ter exigências quanto à textura, aspecto, cheiro e até cor do granulado usado em sua bandeja sanitária. Se você pretende ter mais de um gato, não economize com o número de bandejas, pois a competição entre os gatos e o gosto por limpeza podem trazer problemas caso um não se adapte a dividir o “banheiro” com os outros. Os gatos esperam que você tenha o bom senso de limpar as bandejas com freqüência. Lembre-se também de que privacidade é uma palavra chave, por isso a localização das bandejas sanitárias deve respeitar esse princípio.

 

Depois de atendidas as necessidades primárias, vamos nos concentrar nas secundárias, mas também bastante importantes. Todo gato necessita de um local para “afiar” suas garras. O ato de arranhar sofás não tem nada a ver com mania de destruição ou querer móveis novos; na verdade, o hábito de arranhar superfícies onde suas garras ficam presas tem várias explicações. A primeira delas é a necessidade de fazer alongamento, como se espreguiçar logo após acordar. Outro objetivo seria tirar camadas de unha que estão se desprendendo de suas garras, o que, no final das contas, está, sim, deixando-as mais afiadas. A terceira utilidade seria deixar sua marca no território que eles consideram deles. Se você já teve que jogar fora ou mandar reformar uma poltrona ou sofá, sabe que dificilmente conseguimos dissuadi-los desse hábito tão arraigado na sua natureza, portanto só nos resta buscar alternativas. Uma delas seria comprar um “arranhador” já fabricado para essa finalidade, mas lembre-se: só porque você compra um objeto onde está escrito “arranhador para gatos”, não quer dizer que seu gato vai entender assim. Se o braço do sofá for mais atraente, ele continuará sendo usado para isso. Você ainda tem outras opções, como um pequeno pedaço de tronco de árvore com casca e tudo ou um pedaço de carpete preso numa tábua. Se for atrativo e cumprir a função, o gato vai usar o seu “arranhador”. Como última alternativa, compre um sofá onde as unhas não agarrem e o gato vai perder o interesse.

 

Para se manterem saudáveis, os gatos também necessitam de diversão, mas não gaste comprando brinquedos importados e cheios de frescura, gatos adoram coisas que se movimentam, seu instinto de caçador fala mais alto. Caça é o esporte preferido dos gatos, tanto que as mães ensinam seus filhotes desde cedo a arte da caça, que pode ser divertida, mas que também pode garantir sua sobrevivência em caso de necessidade. Gatos são também indivíduos muito curiosos. Com essas informações podemos fornecer diversão para eles, como bolinhas de papel ou outras que façam barulho, caixas de papelão, rolos de papel higiênico (vazios, obviamente). Tenha cuidado apenas com cordões, barbante, linhas ou pequenos botões, que podem ser engolidos. Gatos adoram também observar o mundo do alto, estão sempre dispostos a escalar locais aparentemente impossíveis. Considerando a curiosidade nata (e que às vezes mata), eles gostam também de apreciar a paisagem e os acontecimentos pela janela e, numa distração, podem cair e se machucar seriamente, portanto, se você mora em apartamento, independente da altura, coloque tela nas janelas a que o gato vai ter acesso e evite acidentes.

 

Mais importante de tudo, quando levar um novo gato para casa, tenha certeza de dar um tempo para ele se adaptar. Com isso em mente e seguindo essas recomendações, você estará dividindo sua vida com uma das criaturas mais espetaculares da natureza e terá muitas alegrias nesses próximos anos de convivência. Aproveite!

“Deus criou o gato para que o Homem fosse capaz de acariciar o tigre.”


Christine Souza Martins
M.V. Mestre em Medicina Veterinária
Professora da Universidade de Brasília