| Raiva |
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Atualmente, a raiva canina ocorre em poucas cidades brasileiras. Mesmo assim, não podemos nos distrair dos cuidados com nossos animais de estimação, principalmente cães e gatos. A raiva é uma doença que sempre preocupou os proprietários de animais, bem como as autoridades sanitárias. O caráter letal da doença gerou programas de vacinação em praticamente todos os municípios brasileiros e criou o hábito dos proprietários de animais de estimação de vaciná-los. Essa prática tem motivo de ser, pois a raiva é uma doença que mata 100% dos animais que adoecem, inclusive o homem. A transmissão da raiva, na maioria das vezes, se dá através de mordeduras ou arranhaduras de um animal doente em um sadio. Pode, também, ser transmitida através do contato da saliva com algum ferimento ou com mucosas, como boca e conjuntiva. A saliva do animal doente contém uma grande quantidade de vírus, que é capaz de provocar a doença naquele organismo com que teve contato. Recentemente, vários países conseguiram controlar a raiva urbana, ou seja, a raiva em cães e gatos. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, algumas cidades ainda registram casos da doença em cães e gatos, enquanto, em outras, já não há registros há muitos anos. Contudo, mesmo com a raiva sob controle, não devemos deixar de vacinar nossos animais de estimação anualmente. A vacinação ainda é o melhor instrumento para manter esse controle. Além da vacinação, temos que manter nossos animais em casa, sem contato com cães desconhecidos. Sempre que sairmos com nossos eles, devemos mantê-los na guia, nunca deixá-los soltos. Mesmo que tenhamos nossos animais mantidos dentro de nossas casas, a vacinação é muito importante, pois os quintais podem ser invadidos por gatos de rua e também por morcegos. Muitas cidades brasileiras vêm registrando casos de raiva em morcegos dentro de áreas urbanas, como São Paulo, Brasília, Belo Horizonte, Porto Alegre, entre outras. Em alguns casos, o morcego infectado foi encontrado na boca de animais de estimação, portanto, nem os animais que vivem fechados em apartamentos estão livres dessa doença. Qualquer espécie de morcego pode transmitir a raiva, mesmo aqueles que se alimentam de frutas ou de insetos. Apesar desse novo elemento na cadeia de transmissão da raiva nas cidades, existem medidas de prevenção e de controle que podem ser adotadas, tais como: - Vacinar os cães e gatos anualmente. Se o animal é um filhote, deve receber a primeira dose de vacina em torno de quatro meses e um reforço após 30 dias. Depois, uma dose por ano; - Não deixar os animais soltos nas ruas e, quando saírem, deverão ser conduzidos com guia, por pessoa capaz de contê-los; - Se encontrar um morcego caído dentro de casa, coloque uma lata, um balde ou outro objeto sobre ele, isole o local e procure a autoridade sanitária de sua cidade, como o Centros de Controle de Zoonoses, a Vigilância Ambiental ou órgão afim. Nunca toque no morcego diretamente com as mãos; - No caso de morcegos interagindo com animais de estimação, acione a autoridade sanitária e consulte seu veterinário; - Se ocorrem adentramentos habituais de morcegos em sua casa, coloque telas nas janelas; - Ter sempre muito cuidado ao socorrer animais desconhecidos, principalmente os que são atropelados; - Se for mordido ou arranhado por qualquer animal, lave o ferimento com água corrente e sabão e procure o posto de saúde mais próximo; - Nunca sacrifique um animal agressor. No caso, o melhor a fazer é dar abrigo, alimentação e assistência veterinária. Se o animal for um cão desconhecido, solicite o serviço de Saúde Pública de sua cidade para que ele seja observado e cuidado. Assim, pode-se evitar o “tratamento” com vacinas que, na maioria das vezes, podem ser dispensadas se essas providências forem tomadas. Normalmente, um animal raivoso apresenta mudanças no comportamento, como procurar lugares com pouca luz e sem corrente de ar. Pode deixar de se alimentar e mostrar dificuldade para comer e beber água. A boca fica um pouco aberta e apresenta salivação espessa. O cão parece que está engasgado e, muitas vezes, as pessoas se expõem ao vírus da raiva na tentativa de desengasgar o animal. A maioria dos cães fica agressiva e pode não reconhecer seus donos. As pupilas ficam dilatadas e o olhar fixo. Depois dessa fase de agressividade, aparecem as paralisias dos membros posteriores que, mais tarde, progridem para todo o corpo, deixando o animal completamente caído e, em seguida, levando-o à morte. Alguns animais não apresentam a fase de agressividade, entrando direto para a fase paralítica. Quando isso ocorre, chamamos de “raiva muda”. O tempo que leva desde o início dos sintomas até a morte do animal é de aproximadamente sete a oito dias. Sempre que observar um animal com sintomas nervosos, procure seu veterinário ou o serviço de saúde e tenha muito cuidado na manipulação do animal. Por fim, como já comentado anteriormente, a raiva em cães e gatos vem diminuindo ano a ano nas grandes cidades; entretanto, não podemos nos descuidar das medidas de prevenção e, principalmente, da vacinação. Péricles Norimitsu Teixeira Massunaga |




