| Texto: Meu cachorro nunca cruzou. Devo me preocupar? |
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Uma colega, professora de Educação Física, me encontrou na academia e, um pouco constrangida, veio me falar que a família estava à procura de uma fêmea para cruzar com o Turbo (um Schnauzer mini). Argumentou que ele já se encontrava na idade adulta e que agora havia “chegado a hora de acasalar com alguma fêmea”. Pediu-me a colega que a ajudasse a encontrar o par ideal, embora ela particularmente não concordasse com os filhos e com o marido sobre a “necessidade de experiência reprodutiva” para o Turbo. Claro, sorri compreensivamente e concordei que é legítima a preocupação dos donos com as necessidades comportamentais dos seus cães. Mas ponderei que era desnecessária a procura e que ela tinha razão em discordar do resto da família. Meu cachorro ainda é virgem: devo me preocupar em cruzar o meu cão? Esta é uma dúvida freqüente entre os donos e donas de cães. Aliás, a dúvida tem variantes tais como: se eu não cruzar ele vai se sentir infeliz? Ele poderá se tornar menos masculino se não cruzar? Ele está muito nervoso, será que cruzando ele ficará mais calmo? Os cães, como a maior parte dos animais, são preparados para a reprodução com estruturas anatômicas, hormônios e um cérebro que, quando estimulado, altera o comportamento. Da adolescência à idade adulta, a presença de cadelas em cio, seus feromônios (moléculas exaladas pelo corpo que estimulam ou inibem o comportamento de animais da mesma espécie), tumefação vulvar e comportamento, estimulam o comportamento dos machos. A corte e a tentativa de cópula seguem o contato entre macho e fêmea nestas condições. Muitas vezes, as cópulas não são bem sucedidas, porque há um rechaço por parte da fêmea, inabilidade ou simplesmente devido às poucas tentativas por parte do macho. Apesar da capacidade reprodutiva, não há um fatalismo reprodutivo, isto é, não é obrigatório um animal se acasalar para ter aumentada a saúde ou seu bemestar. Evidências estatísticas sobre o ciclo de vida sugerem que a maior parte dos animais domésticos não se acasala ou reproduz durante toda a vida. Não há, efetivamente, algum estudo científico sistemático que demonstre que cães que não se acasalam são mais estressados do que aqueles que reproduzem. Ou que a falta de acasalamento durante a vida leva a um estado psíquico anormal. Além disso, o sexo é arriscado... [Leia mais na edição 1# da revista Animais de Companhia] Vanner Boere |